Filha do Mundo

   Sabemos que nascemos neste mundo, com tudo o que ele trás, o bom e o mau. Eu nasci em Portugal, país predominantemente católico mas os meus pais eram evangélicos. Demorou alguns anos para perceber que Deus é muito mais que uma religião. Mas quando percebemos foi fantástico. Há poucos anos comecei a ver coisas que nunca tinha visto na vida. Pessoas a serem curadas de doenças graves em minutos, pessoas a chorar aparentemente sem razão, e descobri que o Deus que sempre achei conhecer, não conhecia. Que ele é muito mais real e menos místico que o que fazíamos dele. Percebi que ele quer falar connosco no nosso dia-a-dia e dar-nos Vida.

   Foi para isso que ele veio em Jesus. Percebi que eu nasci no mundo e por isso fiz coisas que não devia fazer. Mesmo sempre tentando fazer o meu melhor um dia percebi que não conseguia ser boa. Sempre haveria uma parte de mim a puxar para pensar em mim mais que nos outros e, embora pudesse ser considerada ‘boa’ comparando com as pessoas à minha volta, nunca seria ‘boa’ comparando com o Deus que me criou para se relacionar comigo. Percebi que se não fosse por Jesus ter vindo pagar pelo que eu devia pagar eu nunca teria Vida de verdade, neste mundo.

   Entretanto acabei o secundário. Já tinha coragem suficiente para querer que Deus me dissesse o que fazer. Ele não me disse diretamente, mas planeou tudo por mim. Tirei a carta, fui à Irlanda do Norte e aprendi a ouvi-lo muito mais fácil e simplesmente que nunca e aprendi a curar pessoas com uma simplicidade estrondosa. Estive em França, no Luxemburgo, nos Açores e nos Estados Unidos este ano. Tudo coisas impossíveis para mim, mas não para Deus. Por isso digo ser filha do mundo. Nasci neste mundo. Já não pertenço a ele. Agora sou filha de algo que ainda estou a descobrir o que é. 

   Mas já sei que é o amor perfeito… A felicidade intrínseca… A paz que excede todo o entendimento… Algo que ainda por cima fala connosco… É isso que procuro conhecer, o falar dele. Para ouvi-lo tão simplesmente como se ouve um marido.

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